PHYTOENERGY: O potencial de valorização energético de biomassa resultante de aplicações de fitorremediação de solos contaminados
O Testemunho de Ana Marques, Investigadora na Universidade Católica Portuguesa e responsável do projeto PHYTOENERGY:
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"Existem mais de 100 milhões ha de terrenos contaminados em todo o mundo, sendo a contaminação com metais pesados (MP) especialmente preocupante. A equipa participante no projeto trabalha há vários anos na área da remediação deste tipo de solos, em particular testando e desenvolvendo estratégias de fitorremediação dos mesmos, uma tecnologia de base biológica que se tem demonstrado uma alternativa atraente e de baixo custo. Na fitorremediação, são usadas plantas resistentes à contaminação presente que vão estabilizando o solo e até captando os contaminantes existentes, podendo recorrer-se a ferramentas biológicas tais como a aplicação de inóculos microbianos para potenciar o seu crescimento e facilitar a sua expansão. Como principal desvantagem apontada a esta tecnologia, surge comummente a questão de esta biomassa, após colheita, poder representar uma fonte de contaminação ela também.
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Para estabelecer esta conexão entre a remediação do solo e a produção de energia, foram selecionadas culturas não só pelo seu valor energético, mas também pela sua capacidade de crescimento sob este tipo stress.
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Assim, a escolha da equipa recaiu sobre o milho e o girassol, conhecidas por terem potencial energético e de remediação, e recorreu à associação com fungos bioinóculos de forma a maximizar a sua produtividade em solos contaminados e pobres em nutrientes como aqueles que foram alvo de testes – um solo industrial da zona do Complexo Químico de Estarreja e um solo mineiro proveniente das minas da Panasqueira.
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Desta forma, foram conseguidas com sucesso as otimizações da extração de óleo das sementes das plantas produzidas, da fermentação da palha para a fermentação a bioetanol - usando estes dois subprodutos para a produção de biodiesel – e da digestão anaeróbia desta para produção de biogás com valor energético.
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Foi com ânimo que a equipa de investigação concluiu que os produtos finais não apresentaram contaminação relevante e que seriam passíveis de utilização, por comparação com produtos gerados por cultivo em solos agrícolas, para fins energéticos, e que este caminho seria economicamente, ambientalmente e socialmente viável."
O Apoio do COMPETE 2020
O projeto é promovido pela Universidade Católica Portuguesa em colaboração com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e conta com o apoio do COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica (Projetos de IC&DT), envolvendo um investimento elegível de 236 mil euros o que resultou num incentivo FEDER de 201 mil euros.
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